sexta-feira, 15 de março de 2013

ONU: Portugal sofre a maior queda no Índice de Desenvolvimento Humano

Relatório do Desenvolvimento Humano - 2013
A Ascensão do Sul: Progresso Humano num Mundo Diversificado

Quanto à evolução do Índice de Desenvolvimento Humano, que não tem apenas em conta o produto e o rendimento, mas também a esperança de vida e a escolaridade da população, as Nações Unidas estão otimistas ao verificarem que "o ritmo de progresso do IDH foi mais rápido nos países que se situam nas categorias baixa e média do desenvolvimento humano. Trata-se de uma boa notícia", afirma o relatório, embora assinale que "não será desejável, nem sustentável, que os progressos no IDH sejam acompanhados pelo aumento das desigualdades de rendimento, padrões insustentáveis de consumo, despesas militares elevadas e uma fraca coesão social". 
"Como foi possível a tantos países do Sul mudar as suas perspetivas em matéria de desenvolvimento humano?", questiona a dada altura o relatório da ONU, apontando três fatores para explicar essa evolução: "um Estado pró-ativo no domínio do desenvolvimento; a exploração de mercados mundiais e uma aposta numa política social inovadora". No entender do relatório, estes fatores põem em causa as "abordagens preconcebidas e prescritivas: por um lado, põem de lado uma série de procedimentos coletivistas e geridos a nível central e, por outro, afastam-se da liberalização desenfreada adotada pelo Consenso de Washington.
  Portugal na contramão da estrada do desenvolvimento humano
Se o otimismo é a tónica geral do relatório em relação aos países do Sul, os leitores portugueses do relatório ficam sem grandes razões para festejar: o país é o campeão das descidas no Índice de Desenvolvimento Humano 2012, caindo 3 lugares. Portugal ocupa agora a 43ª posição em 187 países, entre os Emirados Árabes Unidos e a Letónia. Ou seja, está apenas 5 lugares acima da linha que separa os países com desenvolvimento humano na categoria "muito elevado" dos que pertencem à categoria "elevado". Em comparação, a Grécia manhtém-se estável no 29º lugar do índice e a Espanha também mantém o 23º lugar nesta lista de países.
A par do Indice do Desenvolvimento Humano, que "reflete o desenvolvimento humano potencial, que poderia ser alcançado se as realizações fossem distribuídas de forma igualitária entre os residentes" de cada país, a ONU apresenta o mesmo índice ajustado à desigualdade, que desconta "o valor médio de cada dimensão [saúde, educação e rendimento] de acordo com o seu nível de desigualdade". Neste índice ajustado à desigualdade, Portugal regista uma perda de 10,8% em relação ao índice original.
Este retrocesso do desenvolvimento humano português vem contrariar a tendência positiva que se registava nas últimas décadas.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

PORTUGAL CONTINENTAL: RELEVO

Dimensões do país : 218 a 112 km no sentido dos paralelos; 600 km no sentido dos meridianos (de 37°N a mais de 42°N). Consequências imediatas: os maiores contrastes serão, a priori, os que se estabelecem entre o Norte e o Sul. Esse facto ganha, ainda, maior realce se se atentar em que Portugal se situa, em termos climáticos, numa faixa de transição.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

URGE DESPERTAR AS CONSCIÊNCIAS

A injustiça avança a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: como é, assim será
Nenhuma voz além dos que mandam será ouvida
E em todos os mercados proclamam a exploração;
Isto é apenas o começo
Mas entre os oprimidos, muitos agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca o alcançaremos
Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
Nada continuará a ser como é
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? De nós também
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que haverá aí que o retenha?
E nunca será: ainda hoje!
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã

Elogio da Dialética — Bertolt Brecht

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Onde está a geografia num jogo de futebol?


Um jogo de futebol é uma aula de geografia pura, pois trata-se de uma disputa territorial, onde as equipas têm de arquitectar estratégias para ocupação, dominação e conquista (concretizada pelo golo!) do território do adversário. Temos um Território com linhas e fronteiras (marcações do terreno de jogo) disputado arduamente pelos jogadores mas o mesmo se passa na bancada (com o incentivo criado pelas claques dos diferentes clubes), com regulamentos (aplicados pelos árbitros=ONU). Cada jogador ocupa um Lugar(es), tem um número, representa uma Identidade (clube, uma bandeira, um hino). No estádio, o público está colocado por diversas hierarquias (bancada central/lateral/superior), que criam desigualdades no acesso ao visionamento do jogo. Quem tem mais dinheiro tem acesso aos melhores lugares na bancada, o adepto visitante (estrangeiro) fica normalmente no pior dos lugares, tal como o emigrante quando vai trabalhar/habitar fica com os piores trabalhos/casas (periferia ou casas velhas). Os treinadores possuem recursos (jogadores) mas nem todos são iguais e há recursos mais valiosos do que outros. Por fim, também há possibilidade de batota, contornando as leis (comprando árbitros), de forma a manter a supremacia no terreno de jogo (tal como fazem os países desenvolvidos com a dívida dos países do terceiro mundo). 
Aires - 21/06/2012